O crime de ser uma mulher livre

Você já percebeu que só por nascermos mulheres já somos fatalmente condenadas pelo sistema patriarcal em que estamos imersas?

Se a mulher quiser expor seu corpo, é promiscua.

Se a mulher fala de forma assertiva, é chata.

Se a mulher é aberta sexualmente, é fácil.

Se a mulher expõe o que sente, é frágil.

Ainda que seja para ofender um homem até a língua portuguesa persegue a mulher:

“filho da p***”, “corn*”, “viad*”…

Além de tantas outras expressões que nem caberiam aqui, são falas que ofendem diretamente o feminino.

Ser uma mulher em meio a uma sociedade machista já é motivo mais do que suficiente para ser extremamente julgada em cada ato.

Com isso, imagina ser uma mulher que definitivamente não se encaixa nos padrões normativos que foram construídos socialmente ao longo das gerações anteriores?

É de fato um crime inafiançável.

Por isso, eu paguei e pago o preço que for preciso para viver em liberdade.

Por que não existe nenhum argumento que sustente a lei de que “homem pode e mulher não”.

Se existe uma coisa que mulher pode é poder. Nós somos o poder. Somos o portal da vida.

Talvez seja isso que o machismo não suporte: o fato de que todo mundo nasceu de uma mulher.

Então, negar o poder de uma mulher é negar a vida.

Assim, o patriarcado fala incessantemente que nós somos objetos, que não temos valor, que não somos suficientes e que somos adversárias.

Mas não somos.

Talvez você tenha ouvido durante toda a vida o grito do machismo te impedindo de ser quem você é.

Mas eu vim aqui só para te lembrar:  a voz do feminino não pode ser silenciada.

Meu sonho de “princesa” é que  toda mulher tenha consciência do seu poder pessoal e do seu direito de existir como bem entender.

Tá tudo bem se você quer casar, ter filhos e se dedicar exclusivamente a sua família.

Ta tudo bem se você não quer construir uma família.

Ta tudo bem se você quer expor seu corpo da forma que você bem entender.

Por fim, as nossas escolhas individuais precisam ser respeitas e não julgadas.

Afinal de contas o machismo não começou quando as mulheres começaram a votar, trabalhar fora de casa e nem mesmo quando começaram a se libertar sexualmente.

O machismo começou quando nos impuseram reverenciar  apenas um Deus ao invés de uma Deusa.

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