Guia de vivência: o que não te contam sobre viajar só

Ilha Grande, Rio de Janeiro - 2019

Após engavetar os textos sobre o turbilhão que foi dezembro, pensei bastante sobre quais seriam os primeiros de 2020. E aqui me encontro, sagitariana que sou, escrevendo sobre o que me tirou (diversas vezes) dos olhos de todos os furacões que se apresentaram em 2019: viajar só.

Minha primeira aventura solo não aconteceu nos últimos 365 dias, mas a mais significativa sim: entre os meses de novembro e outubro passei 20 dias no Rio de Janeiro… com a cara e com a coragem que a deusa -e meu mapa astral- me deram!

Então, fiz um pequeno guia sobre as coisas que não me contaram sobre viajar sozinha, pra te ajudar a engatar suas próprias aventuras. Ramo?

1 – Você vai se sentir só e… tudo bem.

Parece óbvio, mas não é. Pra mim não foi, pelo menos. No início, me assustei um pouco quando percebi meu próprio recolhimento. Como assim eu estava sem ânimo pra fazer mais uma trilha? Subir uma nova serra? Mergulhar? E essa vontade de ficar um dia inteiro deitada, imersa em mim?

Depois, entendi que aquilo era um processo natural: do corpo e da alma. Estar em condições adversas me cobrou mais do que eu achava que seria capaz de oferecer, e, por isso, eu tive que escolher entre os estados de solidão e solitude, vagando por eles de maneira natural e não supérflua.

É preciso ter coragem pra se jogar no mundo, mas é preciso muito mais força pra se voltar pra dentro. Aproveita e não se julga. No outro dia a gente tá pronto pra outra, mas com uma diferença abismal: mais consciente da gente mesmo. E isso é lindo!

2 – O planejamento vai falhar

Acho que sempre falha, mas estar sozinho é um up pra que isso vire um problema grande: na hora do desespero não tem ninguém para te sacudir e te pedir pra voltar pra terra. Então… relaxa e já vai sabendo. Você conseguiu chegar até aí e vai conseguir resolver . Para, chora, pensa… mas não perde o eixo. Bebe essa limonada e segue o baile!

3 – Você vai achar que é louc@

Essa não precisa de muita explicação, é um f-a-t-o!

Quando você estiver indo vai achar que é louc@, quando estiver voltando também, quando estiver triste idem… quando estiver feliz nem se fala! E é uma delícia. Se deixa, se solta, se joga… pula na cama depois de um dia cansativo, cozinha sua própria comida quando não quiser sair, abraça as pessoas quando estiver transbordando. Você vai conhecer uma versão de si que nem sabia que estava aí.

4 – As condições nunca vão ser totalmente favoráveis

É. Como diria toda a internet: aceita que dói menos. Sabe aquela grana pra pagar tudo a vista? Pode ser que ela não chegue. A meta de não parcelar absolutamente nada? Ela pode se esvair num piscar de olhos. Os lugares lindos das fotos? Podem estar sempre lotados. Os dias de sol? Podem não existir. E é isso.

Não tem momento certo para ser feliz: junta uma grana razoável, leva todos os cartões, compra a passagem sem saber como vai se sustentar lá, faz amizade com as pessoas. Deixa o celular. Esquece que você precisa de um bom sol para curtir o mar: você não precisa. Deixa a expectativa: tudo é uma questão de perspectiva e o que seu olho vê… só ELE vê. Abraça a adversidade.

5 – Você vai conseguir

Só viajando a gente consegue acreditar na certeza de que a vida pode –e deve- ser mais! Não tem que dar certo, já deu! Você vai conseguir e vai voltar outrx! A única coisa que não dá pra levar é o medo.

Já arrumou as malas?

Me chama!

Ilha Grande, Rio de Janeiro – 2019

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