Substantivo feminino – Cerveja!

O “Boom” das cervejas artesanais chegou no Brasil há mais de 10 anos e ganhou muito mercado, especialmente entre nós mulheres.

Que somos cervejeiras de carteirinha não é segredo faz tempo; mas fomos propulsoras das cervejas artesanais porque até então, as “mainstream” (grandes indústrias cervejeiras) só tinham olhos para o público masculino; nós servíamos apenas para estampar cartazes e protagonizar as lindas propagandas usando bikini.

A história da cerveja anda junto com a da humanidade; nas primeiras inscrições sumérias já se falava do “liquido fermentado de cereais”; feito pelas mulheres. A Deusa Ninkasi, deusa suméria da fertilidade e da cerveja era reverenciada entre o povo. Um pouco mais na frente já existiam citações das “Ale Wifes” (esposas da cerveja) ; termo amplamente utilizado na Inglaterra durante a idade média; referia-se às mestres cervejeiras e donas das tabernas; uma boa mulher para se casar era aquela que dominava a arte da cerveja.

Isso mudou quando começamos a ganhar muito dinheiro e a dominar o mercado, infelizmente e, com o  passar dos anos, a responsabilidade emocional da família ficando atribuída somente a figura feminina nos distanciou do comércio e consumo  da bebida; que, por sua vez continuou lado a lado do público masculino.

Enquanto um lado buscava cerveja em quantidade, elas buscavam qualidade de sabor; juntando os pontos, a cerveja artesanal chegou sem expor a loira de bikini e trouxe o que a gente queria; qualidade!

Chegou de mansinho, mas explodiu! Hoje as artesanais estão presentes em todo tipo de ponto de venda, mas o que mais me encanta é ver o retorno das raízes; mulheres encabeçando grandes cervejarias, sommelieres viajando o mundo inteiro para falar de um assunto que também é nosso.

Mulheres que fizeram história no mundo da cerveja:

Ninkasi: Deusa Suméria da fertilidade e da cerveja, seu nome significa “aquela que enche a boca”. A produção de cervejas era parte das tarefas domésticas e de grande importância para o clã; era considerada como o “líquido que trazia alegria”.

Hidelgarda von  Bingen: Alemã (1098-1179)Mística, freira, teóloga, botânica, poetisa e cientista. Descobriu as propriedades bacteriostáticas (conservantes naturais) do lúpulo, até então desconhecidas. O lúpulo era usado para trazer sabor e aroma e foi ela a descobrir que essa erva preciosa dava muito mais para a cerveja. Além desse currículo imenso, Hidelgarda foi reconhecida por seus milagres sendo canonizada em 2012 através de decreto papal.

Mathilde Schneider: Uma história um tanto interessante; em 1907 Mathilde, assumiu a cervejaria alemã “Weissbierbrauerei G. Schneider&Sohn” após a morte de seu marido, Georg Schneider III. A cervejaria era passada de pai para filho e a viúva se viu obrigada a seguir o legado. Sob sua batuta, a cervejaria que produzia apenas cervejas tradicionais de trigo, produziu a inovadora e maravilhosa “Schneider Aventinus Tap 6”. Uma cerveja de trigo, DoppelBock – com alto teor alcoólico; uma cerveja de guarda com notas de frutas negras e corpo médio. Considerada uma das melhores do mundo; Mathilde inovou e reergueu a cervejaria e a família.

Mulheres que estão fazendo história no mundo da cerveja:

 

Edite & Amanda Bazzo: Mãe e filha, encabeçam a Cervejaria Burgman, inaugurada em 2010 em Sorocaba, interior de São Paulo. As receitas vão dos clássicos como a Weiss típica alemã, aos estilos poderosos e inovadores americanos. Com maltes escolhidos a dedo e diversas medalhas; A cervejaria Burgaman é referência nacional do mercado artesanal e, foi lá que tive o prazer de me apaixonar pelo liquido sagrado. Conheça mais na página deles @cervejariaburgman e compre na própria cervejaria o chopp fresco ou a cerveja nos melhores sites.


Kathia Zanatta: Engenheira de alimentos, mestre cervejeira, sommelier de cervejas e sócia/diretora da escola  pioneira no ensino cervejeiro – o Instituto da Cerveja Brasil (ICB). Juíza em grandes concursos cervejeiros, especialista em cervejas  do grupo Pão de Açúcar e participações em programas como “Perto do fogo” na GNT. A Kathia é referência nacional de sommeliers, paladar e olfato apuradíssimos e uma visão a frente, sempre. Conheça mais o trabalho da Kathia no @insitutodacerveja e também na sua persona @kathia_zanatta.


Juliana Pacheco: Sócia e Sommelier do “Bar Infiel”, em Porto Alegre -RS. A Jú trouxe uma proposta diferente às terras gaúchas, a infidelidade à qualquer marca de cerveja. Degustar todos os tipos sem culpa! O Bar conta com mais de 100 rótulos nacionais e internacionais escolhidos pela própria Juliana. E aí, vai perder? Conheça mais no @infielbar .

E você, conhece alguma mulher cervejeira que arrasa?  Conta pra mim aqui nos comentários ou nas minhas redes sociais @karolynoberg e @restaurantemoseria.

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