Vaidade Masculina

Foi-se o tempo em que ser machão era deixar os cuidados com a beleza de lado.

Foi-se o tempo em que ser machão era deixar os cuidados com a beleza de lado.

Seja o penteado alisado do astro mirim Justin Bieber ou o celebrado estilo fashion dos jogadores David Beckham e Cristiano Ronaldo, alçados a estrelas da moda; seja o figurino pop colorido inspirado no “happy-rock” irritante de bandas nacionais como Restart até o conservador universo político ou empresarial em que a aparência é milimetricamente arquitetada e cada vez mais aplaudida. Um inusitado denominador comum pode ser extraído de tão diferentes referências e estilos: a vaidade masculina nunca esteve tão em voga.

Não importa a idade ou a fonte de inspiração, mas a valorização do visual e o reconhecimento da vaidade do homem como algo intrínseco à natureza humana vêm ganhando contornos gigantescos, aguçando um mercado ávido por potenciais consumidores e angariando cada vez mais adeptos.  Hoje em dia eles não se contentam em apenas malhar, lamentar pela queda de cabelo ou investir em atividades que colaborem com o vigor sexual; ser um homem moderno também inclui cuidar da alimentação, fazer tratamentos estéticos, utilizar cosméticos (acreditem, isso está cada vez mais comum), prestar mais atenção no que vai vestir em cada ocasião, recorrer a práticas mais dolorosas como depilação, implantes capilares, peelings, aplicação de lasers ou até mesmo procedimentos cirúrgicos mais significativos como a lipoaspiração, rinoplastia (correção estética do nariz) ou ginecomastia (redução das mamas – que crescem por alteração hormonal ou acúmulo de gordura) − em ordem, as intervenções cirúrgicas mais procuradas.

A vaidade masculina vem sendo encarada como algo que vai muito além do simples narcisismo e totalmente dissociada da conotação de que o homem vaidoso tem a sua masculinidade posta à prova; olhar para si próprio tem a ver com aceitação social, sucesso profissional e demais questões de sobrevivência. A aparência soma vários pontos a favor não apenas na hora da paquera, mas também no momento de contratar profissionais. O pressuposto é o de que o homem que se preocupa com a aparência, provavelmente, dedica os mesmo cuidados em outros departamentos, além do pensamento de que um funcionário apresentável também compõe a imagem pública de uma empresa, por isso a valorização crescente destas medidas embelezadoras.

Não faz muito tempo, mas até as duas últimas décadas era inimaginável um homem admitir sua vaidade e dar vazão a cuidados que, até então, só eram atribuídos às mulheres.  Os tempos mudaram e o público masculino de outrora que se contentava em apenas cuidar da barba e cortar tradicionalmente o cabelo começou a descobrir um universo de possibilidades capaz de tornar qualquer “homem das cavernas” em um ser “fofo”, com pele lisinha, sobrancelha delineada (ah?!), dentes branquíssimos e um despojamento cuidadosamente premeditado.

Se as mulheres aprovam a ideia de ter ao seu lado um homem que passa tanto tempo em frente ao espelho quanto elas ou se estão preparadas para dividir a pia do banheiro com os infindáveis produtos do companheiro, só o tempo ou o gosto particular feminino irá dizer; mas dificilmente, depois de descoberto um arsenal de possibilidades que ajudam a dar um “tapa no visual”, o homem deixará de recorrer a tais artifícios.

Por Anderson Lopes

 

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