O Feminino e a relação com a Figura Materna

Nós nascemos de uma mãe mas, se tivermos sorte, teremos mais de uma. E entre todas elas encontraremos quase tudo que precisamos. Os relacionamentos com todas essas mães tem uma grande probabilidade de ser permanente, pois nunca passamos da idade de necessitar de orientação e conselho, e isso também deveria acontecer no ponto de vista mais profundo da vida criativa das mulheres. Essas relações entre mulheres, sejam elas da mesma família de sangue ou de alma, seja entre mestre e aprendiz, terapeuta e paciente, ou entre espíritos afins, todos são relacionamentos de afinidade da maior importância.

Embora alguns estudiosos da psicologia defendam o abandono do modelo idealizado da mãe como um golpe que se não for realizado, irá nos prejudicar para sempre; na realidade a imagem e o conceito da mãe selvagem não podem e não devem ser abandonados nunca. Porque se forem, a mulher estará abandonando sua natureza profunda que carrega e detém todo conhecimento, todas as sementes, todas as agulhas para os remendos, todos os remédios para o trabalho e o descanso, para o amor e a esperança.

Nossa relação com essa mãe da alma deve estar sempre girando, mudando, se transformando, é um paradoxo. Essa mãe é a escola que nascemos, aprendemos e ensinamos, tudo ao mesmo tempo e para o resto das nossas vidas. Tendo filhos ou não, cuidando disso ou daquilo, sempre haveremos de nos deparar com a mãe selvagem em nosso caminho em qualquer lugar. É assim que deve ser.

Mas o que dizer da mulher que passou por uma experiência destrutiva na própria infância? Não se pode voltar atrás e apagar, mas ele pode ser atenuado. Ele pode não ser suavizado, mas pode ser reconstruído com firmeza da forma correta.

Não é reconstruir essa mãe interna que assusta as mulheres, mas o medo de que algo essencial tenha morrido naquele período, algo que nunca possa ser ressuscitado, algo que não recebeu a nutrição e proteção. Em termos psíquicos era a nossa própria mãe que morreu.

Se tranquilize Mulher!

Você não está a morta e você também não sofreu danos letais. Pois como a natureza, a alma e o espírito tem recursos que foge do nosso entendimento, a ponto de nos espantar. A semelhança dos lobos e de outras criaturas, a alma e o espírito conseguem sobreviver por muito tempo com pouco e chamamos isso de o milagre do milagre.

Clarissa conta que uma vez ela estava transplantando uma cerca viva de lilases. Um arbusto enorme que havia morrido de causa desconhecida, mas os restantes estavam cobertos de roxo na primavera. O pé morto rachou e se esfarelou quando foi desenterrado. Ela descobriu que suas raízes estavam ligadas a todos os outros lilases vivos.

A planta que estava morta era a planta mãe, era dela as raízes mais grossas e mais velhas. Todos os seus filhotes estavam bem, embora ela estivesse morta. Com esse sistema, mesmo que a mãe fraqueje, o rebento pode sobreviver. É esse modelo psíquico e a esperança para aquelas que tiveram pouco ou nenhum cuidado materno, bem como para as que sofreram cuidados torturantes.

Muito embora a mãe não tenha mais nada a oferecer, os rebentos irão se desenvolver, crescer independentes e ainda vicejar.

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